quarta-feira, janeiro 12, 2005

Pois, realmente há coisas que dão que pensar [ e o Miguel sabe que sou insuspeito nesta matéria dos clubismos partidários ]

"Comunicação social ignora iniciativa de apresentação de candidatos da CDU
Nota do Gabinete de Imprensa do PCP11 de Janeiro de 2005

A inexplicável ausência da maior parte dos órgãos de comunicação social (designadamente dos canais de televisão e de alguns importantes outros órgãos de informação) na importante iniciativa realizada pela CDU no passado domingo em Setúbal (Baixa da Banheira) e onde participaram mais de 2 000 pessoas com a presença do Secretário-geral do PCP não pode deixar de ser entendida no quadro de uma deliberada omissão e desvalorização verificada na cobertura mediática das acções de pré-campanha da CDU.Esta situação é, nos casos da RTP e RDP1, tão mais significativa quanto estes meios de comunicação social estão vinculados a princípios de serviço público de informação e portanto mais obrigados a critérios de pluralidade, ignoraram por completo, sem que haja critérios ou argumentos editoriais que o justifiquem, a agenda política do Secretário-geral do PCP do passado domingo, agravados no caso da RTP1 por no seu principal jornal (Jornal da Noite) terem marcado presença todas as outras forças e organizações políticas.

Refiro-vos ainda, pensando poder ajudar à análise que, no mesmo dia, o BE fez exactamente o mesmo que a CDU exactamente no mesmo distrito: teve foi só 200 pessoas (segundo a Comunicação Social) e passou em todas as televisões, incluindo intervenções de Francisco Louçã e Fernando Rosas, cabeça de lista pelo distrito. Inocente? Aliás, basta ver quase diariamente os jornais para verificar a campanha que está a ser feita para eleger Fernando Rosas, dando-lhe um protagonismo inacreditável. Apenas um exemplo: o DN, há dias, trazia uma página inteira com os duelos escaldantes (chamavam eles) nos vários distritos. Ora estes duelos traziam fotos dos candidatos do PS, PSD e por vezes do CDS. Da CDU trazia em Lisboa o Secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, e nada mais. Em Setúbal, onde a CDU elege quatro deputados, apenas menos um que o PSD e quatro a mais que o BE (que não elege nenhum), o duelo escaldante era retratado com fotografias dos candidatos de PS e PSD e de Fernando Rosas. Nemmais nem menos! Isenção e seriedade, para que vos quero! Sintomático é também o exemplo do Porto: o Público analisava os resultados das últimas eleições no círculo eleitoral dizendo que o PS subira e o PSD descera relativamente às eleições antes dessas. Concluía a análise dizendo que o BE elegera um deputado e que esteve à beira de eleger o segundo. Importa referir que, apesar de o Público não o dizer, a CDU ficou à frente do BE, logo elegeu também um deputado e, obviamente, esteve mais próximo de eleger o segundo que o Bloco! Nem mais nem menos! Isenção e seriedade para que vos quero!E assim se criam dinâmicas de vitória e se forjam deputados e primeiros-ministros. Não é preciso recordar os debates semanais entre Santana e Sócrates na RTP quando nenhum deles era ainda líder dos respectivos partidos, pois não? "