Segundo tópico do dito balanço - a literatura, essa carraça que não me larga os olhos. A shortlist era grande mas depois de muito trabalho de edição fiquei-me pelos 5 títulos da praxe, sem grandes pretensões...a saber:
"Meia-Noite ou o Princípio do Mundo" de Richard Zimler [Gótica] - um épico de amizade e amor fraterno em registo de romance de época, com os vícios e tibiezas humanas à vista de todos. Do mesmo autor d'O Último Cabalista de Lisboa, outra pérola que consumi nos últimos anos.
"Budapeste" de Chico Buarque [Dom Quixote] - Literatura em estado puro, quer na construção da trama, quer nas encruzilhadas vividas pelo personagem principal. De uma beleza extrema, condensada em meia dúzia de páginas. Há mesmo que ter inveja deste homem. Como se já não lhe bastasse a carreira musical, o charme, o jeito para o futebol, etc etc...
"O Cego de Sevilha" de Robert Wilson [Dom Quixote] - thriller psicológico com um investigador atormentado pela sombra paterna, revelada através de um diário. O serial killer que ciranda pelo livro é apenas um pretexto.
"O Cemitério dos Barcos Sem Nome" de Arturo Pérez-Reverte [ASA] - a arte de contar estórias de uma forma sublime e desassombrada. Ao dispor de quem o lê a fórmula mágica de Reverte, em que o vírus da aventura com reminiscências históricas se infiltra em personagens plausíveis do quotidiano.
"Sala de Montagem", de Louise Welsh [Teorema] - estreia auspiciosa de uma autora escocesa que povoa este livro com personagens no fio da navalha moral, sem fazer quaisquer juízos de valor. O registo de thriller serve como pretexto a uma narrativa que explora uma certa vivência urbana e subterrânea , conduzida por um personagem convenientemente humano. Logo, imperfeito.