quarta-feira, novembro 02, 2005


Ainda o Abanão

o genial escriba em ambiente blogueiro Rui Tavares lançou-se às feras da escrita e, em pausa de outras lides cibernéticas trazida pelo encerramento do Barnabé, atacou de frente o terramoto de 1755. Veste a pele de historiador, de ficcionista, de escritor desenxovalhado e lança uma pérola intitulada "O Pequeno Livro do Grande Terramoto". Ou Terremoto, como lá se explica. Tive a felicidade de estar no lançamento do livro na FNAC Chiado e de, em registo groupie, caçar um autógrafo. Nunca se sabe se o homem vai ser mesmo importante...ou se mais tarde vou precisar de uns rabiscos para falsificar um cheque. Seja como for, o livro já roda pelas livrarias. Altamente aconselhável.

PS: a propósito do livro, o Rui Tavares voltou a "bloggar" e criou este sítio, por forma a que a história do terramoto seja assim mais para o work in progress.

Relações Internacionais

Dusan Kovacevic escreveu para Emir Kusturica uma fábula sobre um país em desagregação evidente, um país que era "uma mentira que funcionava", sobretudo para quem esperava a vinda dos bárbaros enfiado numa cave. O subtítulo da película era Era Uma Vez Um País. Neste momento Dusan interromepu a escrita e abraçou a carreira diplomática. O seu primeiro posto como embaixador é em Portugal. Há fábulas de países e identidades em crise que fazem todo o sentido, ele veio parar ao sítio certo.


Galhofa em semana de pavio mais curto

terça-feira, novembro 01, 2005

Amores imperfeitos # 24

Sandro tem afirmado que o amor de Soares pelo poder é um caso sério da gerontologia. Carina desconfia e diz que isso não é coisa de homens; pelo menos nunca ouviu falar em nenhum que tivesse enfiado o espectro, ou espécime ou espéquelo ou lá o que é.
Minho em baixa resolução # 1 [pódium]


O Abanão

há 250 anos Lisboa tremeu de alto a baixo. Relegados para a cauda da Europa - um eufemismo para cu - ficamo-nos agora pelos tremores em jejum de Jorge Palma.

sábado, outubro 29, 2005

Lisboa em baixa resolução # 36 [a espera]
Há festa rija na Clínica dos Arcos

"Sócrates não arrisca despenalizar aborto sem referendo"

Público, 29/10 (sem link)

sexta-feira, outubro 28, 2005

Crónicas alfacinhas # não sei quantos

num determinado bairro de Lisboa, maioritariamente "social", uma jovem é violada pelo padrasto que vive com ela. Daí resulta uma gravidez levada até ao fim e o abandono da casa pela jovem, por forma a evitar a situação insustentável de continuar a viver com a mãe e o padrasto abusador. A criança nasce e a justiça à portuguesa não entrega a tutela à mãe, uma vez que ela ainda é menor - resolve entregá-la à avó e ao seu marido violador, que por sua vez também é pai biológico da cria. "A violação da enteada foi um acto isolado, não vai repetir esse comportamento com uma filha biológica", bradou a juíza responsável pela apreciação do caso. E lá foi a recém-nascida para as mãos do macho em causa.
Deve ser a isto que os restaurantes chineses chamam uma Família Feliz.


Na mesa de cabeceira

um ensaio ficcionado de mestre Eco sobre as armadilhas da memória...ória...ória.


Memórias

um país que se esquece da obra de Tonicha e dos valores do défice público no tempo do professor Cavaco [dois monstros que se equivalem] não merece viver.
Música para animar o fim-de-semana

"Swedish Chef Song", no canto superior direito agridoce.
Rock n´Roll mess by Vieira, take 2

"Reptilia", The Strokes
"I'm waiting for my man", The Velvet Underground
"Hoist that rag", Tom Waits
"Drive until he sleeps", Ui
"Hangover", Gomez
"Planet of sound", The Pixies
"Tame", The Pixies
"Strange Days", The Doors
"Date with a night", Yeah Yeah Yeahs
"The dark of the matinee", Franz Ferdinand
"Seven nation army", White Stripes
"Cannonball", Breeders
"Mr you're on fire Mr", Liars
"Manic Depression", Jimi Hendrix
"Dancin' fool", Frank Zappa
"Evil", Interpol
"Two-timing touch and broken bone", The Hives
"Eyes wide open", Radio 4
"Show me how to live", Audioslave
"Stereotypes", Blur

e assim se chega ao local de trabalho, bem embalado.
Amores imperfeitos # 23

Quando Sandro diz que adorava ver ao vivo "Las Meninas" de Velasquez, Carina não pode deixar de pensar que Ruca o tem levado demasiadas vezes ao Elefante Branco.


Conquistas de Aníbal o cartaginês

Ontem à hora que não engana foi ruminado o manifesto presidencial do candidato do tabu de polichinelo. Espanto, admiração, consternação, assombro, são tudo palavras do dicionário que agora não importam. De facto o monstro estava criado, só não tinha era rédea solta, mas quem se importa de aguardar a sua hora numa casota da Lapa? Mais do que as palavras anestesiantes reparei no que enunciava o púlpito do homem que não se engana: "Portugal Maior". É esta a promessa estrutural do trepador de coqueiros moçambicanos, "Portugal Maior". Na minha óptica, que pode não ser de fiar uma vez que a miopia me segue como uma sombra há um ror de anos, só há duas explicações para a promessa mostrada em grandes caracteres, a saber:
- Aníbal o conquistador pretende atravessar novamente os Pirinéus com os seus elefantes, substituídos na era moderna por Dias Loureiro e Valente de Oliveira, conseguindo assim a anexação do Luxemburgo, uma espécie de casa aberta para os mujahedin de Tony Carreira, que já conta com um quinto de população portuguesa infiltrada;
- Aníbal tem recebido muitos emails de "ENLARGE YOUR PENNIS", com misteriosos forward de uma tal Maria C. Silva, o que não pode deixar de preocupá-lo.

quinta-feira, outubro 27, 2005

Lisboa em baixa resolução # 34 [ao trabalho]

Começar a tarde enaltecendo a seiva da vida

There are Jews in the world, there are Buddists,
There are Hindus and Mormons and then
There are those that follow Mohammad, butI've never been one of them.
I'm a Roman Catholic,And have been since before I was born,
And the one thing they say about Catholics is
They'll take you as soon as you're warm.
You don't have to be a six footer,
You don't have to have a great brain,
You don't have to have any clothes on,
You're a Catholic the moment Dad came, because

Every sperm is sacred,
Every sperm is great,
If a sperm is wasted,God gets quite irate.
Every sperm is sacred,
Every sperm is great,
If a sperm is wasted,
God gets quite irate.

Let the heathen spill theirs,
On the dusty ground,
God shall make them pay for
Each sperm that can't be found.

Every sperm is wanted,
Every sperm is good,
Every sperm is needed,
In your neighborhood.

Hindu, Taoist, Morman,
Spill theirs just anywhere,
But God loves those who treat their
Semen with more care.

Every sperm is sacred,
Every sperm is great,
If a sperm is wasted,
God gets quite irate.

Every sperm is sacred,
Every sperm is good,
Every sperm is needed,
In your neighborhood.

Every sperm is useful,
Every sperm is fine,
God needs everybody's,
Mine, and mine, and mine.

Let the pagans spill theirs,
O'er mountain, hill and plain.
God shall strike them down for
Each sperm that's spilt in vain.

Every sperm is sacred,
Every sperm is good,
Every sperm is needed,
In your neighborhood.
Every sperm is sacred,
Every sperm is great,
If a sperm is wasted,
God gets quite irate.

© Michael Palin/Terry Jones

Saudades nonsense # 2

há já muito tempo que não vejo um episódio de The Office.

Lentes

no Assédio anda a fazer-se uma recolha de pedacinhos de Lisboa. É assunto que me toca e portanto recomenda-se. A seguir com atenção.

Discos para uma nova identidade
Amores imperfeitos # 22

Quando Sandro ouve Mozart na aparelhagem Mitsai opta sempre pelas "Bodas". Carina fica constrangida porque para ela o Boda é o c****** que ta f***.

quarta-feira, outubro 26, 2005

Lisboa em baixa resolução # 34 [paisagem possível]

Amores imperfeitos # 21

Das meninas do bairro Jessica sempre foi a mais cruel e insaciável. Depois de namorar meio mundo atracou-se ao Ruca, paraplégico desafortunado desde o capotanço do Pêjô 106 Rally. Quando o quis despachar Jessica não foi de modas e cuspiu, ácida: "Oh Ruca, põe-te a andar!!"

No posto de escuta

mestres do gira-discos e electrónicas ao tabefe com a ciganada. Hot stuff.

Por falar em lobisomem, Coelhomem ou simplesmente lobo... e em Pedro, que manda aqui no covil.


Júbilo a três dimensões

estreia amanhã cá no burgo a nova aventura de Wallace & Gromit. Gente de plasticina em sotaque cockney, um mimo. Há uma série de anos que aguardava novidades desta dupla, sobretudo desde que assisti deliciado à curta-metragem "The Wrong Trousers", em que Wallace & Gromit defrontam um pinguim psicopata sem escrúpulos. A ver, absolutamente.
Salada de frutas

um leitor de mp3 permite a concretização daqueles sonhos esquizofrénicos de adolescência, que passavam pela necessidade de transportar uma discoteca móvel pelas ruas. A insatisfação por só poder ouvir um disco de cada vez era gritante; numa primeira fase implicava andar carregado de k7's gravadas. Depois, a ditadura dos cd's, as suas caixas, a insuficiência do discman.
Agora vingo-me dos tempos de penúria e do trauma de nunca ter tido o forte Randall da Playmobil ou o Traga Traga Bolas, Hipopótamos Comilões. Graças à bonomia da Creative, hoje o meu trajecto de casa à sala de trabalho foi assim:

"Loverman", Nick Cave & The Bad Seeds
"Indios de Barcelona", Mano Negra
"S.O.S.", Kula Shaker
"What difference does it make", The Smiths
"Homeless Child", Ben Harper
"Whatever happened to my rock n' roll", B.R.M.C.
"Fell oof the floor, man", dEUS
"No one's leaving", Jane's Addiction
"Wail", Jon Spencer Blues Explosion
"Torture", Jon Spencer Blues Explosion
"No one knows", Queens of the Stone Age
"Paranoid Android", Radiohead
"Renegades of funk", Afrika Bambaata/R.A.T.M.
"New noise", Refused
"Super Bon Bon", Soul Coughing
"Animal Nitrate", Suede
"Capitalism stole my virginity", The (International) Noise Conspiracy

afinal, a viagem não é assim tão longa.

terça-feira, outubro 25, 2005

Lisboa em baixa resolução # 33 [corpo e mente]



Retratos da dor


chovendo no molhado da crítica especializada gostei mesmo muito do "Alice" de Marco Martins. Nuno Lopes e Beatriz Batarda soberbos, Lisboa quase irreconhecível e hostil em tons de azul, o terror da solidão numa busca com [pouco] sentido. Aqui fica a minha homenagem ilustrada.

Se Magritte fosse músico talvez editasse isto