Portuguesismos
tomando a peito a idiossincrasia portuguesa que nos faz tomar partido por indivíduos com quem nunca nos cruzámos na vida, mas que são obscenamente ricos e mediáticos, afirmo aqui aos meus 7 leitores:
RONALDO É INOCENTE!!! CRISTIANO = TIMOR!!!
quinta-feira, outubro 20, 2005
quarta-feira, outubro 19, 2005

Vieira e a Ementa do Dia
"Urgences, les Nuits des Villes" + "Documento Boxe"
é logo à noite no incontornável doclisboa.
Dos lugares bizarros
caro leitor, acredita que não estamos sozinhos no universo? Que aquelas luzes que sobrevoam a Amareleja ou Agualva-Cacém são mais do que aviões? Adira ao MUFON - Mutual UFO Network e dê largas aos seus instintos OVNI. Diz que o actor Dan Aykroyd apoia portanto deve ser bom. Bom proveito.
caro leitor, acredita que não estamos sozinhos no universo? Que aquelas luzes que sobrevoam a Amareleja ou Agualva-Cacém são mais do que aviões? Adira ao MUFON - Mutual UFO Network e dê largas aos seus instintos OVNI. Diz que o actor Dan Aykroyd apoia portanto deve ser bom. Bom proveito.
terça-feira, outubro 18, 2005
O senhor professor é um providencial
na SIC Notícias anda a passar um separador de autopromoção que anuncia um destaque especial ao lançamento da candidatura do professor Cavaco Silva. Promete-se cobertura total com respectivas análises de especialistas, opinion makers e outros desempregados com lugar cativo de botar faladura. O separador anuncia o especial como ao algo que acontecerá AO LONGO DA EMISSÃO, que é como quem diz, durante o dia todo. Com as coisas neste patamar, já começa a ser modesto dizer que o senhor professor anda a ser levado ao colo pelos media. Não só lhe dão colo como também já lhe dão de mamar, com direito a palmadinhas nas costas e arroto a bolo rei no final. Serviço completo, a passadeira para a amamentação até Belém está estendida. Deste modo, quando amanhã for comprar o jornal ou quando me sentar para ver o telejornal durante os próximos tempos vou ter sempre esta imagem na cabeça - a de uns enormes seios, voluptuosos, transbordantes de leite sebastianista. Quem sabe se é já amanhã que por 85 cêntimos me dão um grande par de mamas. Acho que é isso que vai acontecer pois eu nunca me engano e raramente tenho dúvidas.
na SIC Notícias anda a passar um separador de autopromoção que anuncia um destaque especial ao lançamento da candidatura do professor Cavaco Silva. Promete-se cobertura total com respectivas análises de especialistas, opinion makers e outros desempregados com lugar cativo de botar faladura. O separador anuncia o especial como ao algo que acontecerá AO LONGO DA EMISSÃO, que é como quem diz, durante o dia todo. Com as coisas neste patamar, já começa a ser modesto dizer que o senhor professor anda a ser levado ao colo pelos media. Não só lhe dão colo como também já lhe dão de mamar, com direito a palmadinhas nas costas e arroto a bolo rei no final. Serviço completo, a passadeira para a amamentação até Belém está estendida. Deste modo, quando amanhã for comprar o jornal ou quando me sentar para ver o telejornal durante os próximos tempos vou ter sempre esta imagem na cabeça - a de uns enormes seios, voluptuosos, transbordantes de leite sebastianista. Quem sabe se é já amanhã que por 85 cêntimos me dão um grande par de mamas. Acho que é isso que vai acontecer pois eu nunca me engano e raramente tenho dúvidas.
segunda-feira, outubro 17, 2005
domingo, outubro 16, 2005
Trucidar o olhar
a incursão dupla ao doclisboa foi rija, capaz de deixar marcas. A saber:
Ontem à noite "Massaker", objecto realizado por um triunvirato de realizadores que se empenhou em recolher testemunhos inéditos contemporâneos de seis homens envolvidos nos massacres de Sabra e Shatila em 1982. Num registo absolutamente claustrofóbico, sem narração ou caras visíveis, vem ao de cima uma arrepiante normalidade nos relatos. Nem uma sombra de arrependimento. Nem uma palavra de lamento. Descrições, flashbacks à infância, revelações de relações perigosas com o poder israelita da altura. Um dos carniceiros resume a lógica indiscriminada dos massacres perpetrados pela milícia cristã: "se eu não matar esta mulher, ela vai ter um filho que vai crescer e que ainda me há-de matar. É melhor matá-la já". Nada como uma boa lógica preventiva. Um dos realizadores presente na projecção de ontem respondeu a perguntas no final. Infelizmente a sessão terminou de rompante porque as luzes da Culturgest se apagam automaticamente por volta da uma. Malvados sejam os proformes das instituições bancárias e similares.
Hoje à tarde foi a vez de "Srebrenica - a cry from the grave", filme de 1999. Uma reconstituição milimétrica do massacre de Srebrenica perpetrado pelos sérvios-bósnios em 1995. Dor sem nome e brutalidade máxima à beira do século XXI. Nesta mesma Europa que não se cansa de abrir velhas feridas e que demonstra ter aprendido pouco com os conflitos que a dilaceraram durante séculos. O realizador ancorou o filme em alguns sobreviventes do massacre, tendo todos como denominador comum o facto de terem perdido familiares directos neste acto trágico, que acabou por sobressair pela sua dimensão num conflito que marcará por muitas gerações a região dos Balcãs. Gente a quem só o instinto de sobrevivência lhes vale para se manterem do lado de cá da sanidade. Duplamente chocante é o papel assumido pelas Nações Unidas, cuja inacção é gritante. A actuação do ridículo contingente de soldados holandeses, que, na prática, entregaram à chacina milhares de pessoas, acaba por ser uma consequência grave de um gigantesco encolher de ombros. A obscenidade agrava-se quando os holandeses se despedem em clima de festa da região, quando ao seu redor se praticava o massacre que deveria marcar a consciência europeia por muitos anos. No final, o realizador respondeu a perguntas e afirmou-se pessimista em relação às ilações que se deveriam tirar de Srebrenica - na opinião de Leslie Woodhead uma calamidade destas dimensões pode voltar a acontecer, assim a agenda dos líderes e a realpolitik o permitam.
Ainda houve tempo assistir a outra projecção do mesmo autor na Galeria 2, desta vez um filme mais curto realizado em 2005 e denominado Srebrenica - Never Again?
Assim mesmo, com interrogação.
PS: para ajudar a perceber as várias cambiantes deste conflito, alimentado por ódios ancestrais e religosos e pela actuação muito pouco desinteressada de uma série de países ocidentais, recomendo dois livros de autores portugueses - "O vírus balcânico" de Pedro Caldeira Rodrigues e "Da Jugoslávia à Jugoslávia" de Carlos Santos Pereira. Por alguma razão obscura - talvez a reencarnação - presto muita atenção a esta região. E estes livros ajudam a compreendê-la melhor. Mesmo que não a expliquem.
a incursão dupla ao doclisboa foi rija, capaz de deixar marcas. A saber:
Ontem à noite "Massaker", objecto realizado por um triunvirato de realizadores que se empenhou em recolher testemunhos inéditos contemporâneos de seis homens envolvidos nos massacres de Sabra e Shatila em 1982. Num registo absolutamente claustrofóbico, sem narração ou caras visíveis, vem ao de cima uma arrepiante normalidade nos relatos. Nem uma sombra de arrependimento. Nem uma palavra de lamento. Descrições, flashbacks à infância, revelações de relações perigosas com o poder israelita da altura. Um dos carniceiros resume a lógica indiscriminada dos massacres perpetrados pela milícia cristã: "se eu não matar esta mulher, ela vai ter um filho que vai crescer e que ainda me há-de matar. É melhor matá-la já". Nada como uma boa lógica preventiva. Um dos realizadores presente na projecção de ontem respondeu a perguntas no final. Infelizmente a sessão terminou de rompante porque as luzes da Culturgest se apagam automaticamente por volta da uma. Malvados sejam os proformes das instituições bancárias e similares.
Hoje à tarde foi a vez de "Srebrenica - a cry from the grave", filme de 1999. Uma reconstituição milimétrica do massacre de Srebrenica perpetrado pelos sérvios-bósnios em 1995. Dor sem nome e brutalidade máxima à beira do século XXI. Nesta mesma Europa que não se cansa de abrir velhas feridas e que demonstra ter aprendido pouco com os conflitos que a dilaceraram durante séculos. O realizador ancorou o filme em alguns sobreviventes do massacre, tendo todos como denominador comum o facto de terem perdido familiares directos neste acto trágico, que acabou por sobressair pela sua dimensão num conflito que marcará por muitas gerações a região dos Balcãs. Gente a quem só o instinto de sobrevivência lhes vale para se manterem do lado de cá da sanidade. Duplamente chocante é o papel assumido pelas Nações Unidas, cuja inacção é gritante. A actuação do ridículo contingente de soldados holandeses, que, na prática, entregaram à chacina milhares de pessoas, acaba por ser uma consequência grave de um gigantesco encolher de ombros. A obscenidade agrava-se quando os holandeses se despedem em clima de festa da região, quando ao seu redor se praticava o massacre que deveria marcar a consciência europeia por muitos anos. No final, o realizador respondeu a perguntas e afirmou-se pessimista em relação às ilações que se deveriam tirar de Srebrenica - na opinião de Leslie Woodhead uma calamidade destas dimensões pode voltar a acontecer, assim a agenda dos líderes e a realpolitik o permitam.
Ainda houve tempo assistir a outra projecção do mesmo autor na Galeria 2, desta vez um filme mais curto realizado em 2005 e denominado Srebrenica - Never Again?
Assim mesmo, com interrogação.
PS: para ajudar a perceber as várias cambiantes deste conflito, alimentado por ódios ancestrais e religosos e pela actuação muito pouco desinteressada de uma série de países ocidentais, recomendo dois livros de autores portugueses - "O vírus balcânico" de Pedro Caldeira Rodrigues e "Da Jugoslávia à Jugoslávia" de Carlos Santos Pereira. Por alguma razão obscura - talvez a reencarnação - presto muita atenção a esta região. E estes livros ajudam a compreendê-la melhor. Mesmo que não a expliquem.

Da banalidade do mal
na esteira da expressão de Hanna Arendt, ontem assisti a "Massaker" (de que falarei melhor mais tarde) e hoje vou voltar à carga com "Srebrenica - a cry from the grave". A condição humana à luz do dia no altamente recomendável doclisboa. Até já.
sábado, outubro 15, 2005

Quotidianos na tela
começa hoje o doclisboa, marco do cinema na capital que já vai na terceira edição. A programação abre com o aclamado "Rize" do fotógrafo David LaChapelle, com lotação já esgotada. Contudo, para os mais atrasados que, como eu, não conseguiram bilhete a esperança não morreu - o filme tem estreia marcada no circuito comercial para o dia 17 de novembro.
Hoje pela noite vou atacar o "Massaker", documento que dá a palavra a seis assassinos envolvidos nos massacres a palestinianos de Sabra e Shatila (Líbano) em 1982 - esses mesmos que tiveram um dedito (ou uma mão inteira) de Ariel Sharon nos seus tempos de falcão às claras. Uma boa forma de fazer a digestão a partir das 23.
Então até loguinho.
Já agora, programação e informações adicionais estão todas aqui. Bom proveito.
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