sexta-feira, fevereiro 18, 2005

Dos mitos urbanos

há situações que vão cirandando pelo Espaço Público (olá Habermas) e que acabam por ganhar a designação de mitor urbanos. São verdades ou situações insólitas propaladas através de raiz incerta e a verificação das mesmas também pouco importa. O desejo de Mourinho comprar o Vitória de Setúbal, a suposta morte de Saúl Ricardo, as dúvidas existenciais do filho do futebolista Nené. Equiparava a procedência da canção Guerreiro Menino ao mesmo território imperscrutável destes mitos urbanos. Porém o Guerreiro tem um rosto. E o rosto chama-se Gonzaguinha. E Einhart Jacome da Paz (?) pescou-o para o populismo à portuguesa ao serviço do PSD. Ele há cada coisa...
Dreamer

O sonho do engenheiro Sócrates era beber cicuta e sair-lhe maioria absoluta

Terra do Nunca

Não é só o Pedro Lopes que acredita em coisas como a vitória do PSD no domingo. Há mais gente a acreditar em fantasias que envolvem o nome Pedro, que em última instância acaba por ser também o meu próprio nome. Confusos? Nããã. É só dar um pulinho a este site e deixar o mundo paralelo fluir. Uma dica do meu amigo anarchitecton.

Traz aí uma chave de fendas no bolso ou está contente por me ver?

"Você é mais jeitoso do que na televisão"
"Olhe que você também não é nada má"

Jerónimo de Sousa em campanha pelas ruas do Porto
O Guardião das Almas

para quê conselhos eclesiásticos quando serve perfeitamente um economista social-democrata vigilante?

Algumas pérolas da entrevista que João César das Neves dá hoje ao Independente. Uma dica roubada ao Queimado no Momento, onde a descrição do Miguel é mais completa.

"Há 30 ou 40 anos a homossexualiade e a pedofilia eram consideradas iguais. Hoje a homossexualidade é uma coisa normalíssima e a pedofilia é uma coisa horrível. Provavelmente daqui a uns tempos serão as duas normais."

Jornalista - A masturbação não é uma prática razoável? "Claro que não. Nunca foi (...) Porque é um desvio da acção sexual. A pessoa fica cada vez mais agarrada ao prazer, deixa-se controlar pelo prazer. Isso distorce a personalidade."

Um mimo para relaxar da campanha eleitoral.

quinta-feira, fevereiro 17, 2005

E o blogue continua a ser feito pelos seus leitores, o espectro de colaboração alarga-se à sociedade sem vil. Aqui fica uma primeira sugestão do Romero, autor do blogue Contraditorium. O bom gosto do design musical vai ganhando adeptos insuspeitos. Posted by Hello
Depois do post mais comprido de sempre do Agridoce, um pouquinho de descontracção. Posted by Hello

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

De debate em debate, até à urna final

Sim, eu gosto de campanhas eleitorais. Sim, eu gosto de debates políticos ou arraçados de tal, dão-me um gozo tremendo e já estava com formigueiro para vir escrever sobre o de ontem. O debate do 5-1=4, para desespero da classe operática.

A refrega começa com Santana de gravata preta porque o homem também chora e reza e ama e ama. E com isto não se brinca só que o da Defesa ouvi os bispos e foi de azul escuro por causa das coisas (olá Esteves Cardoso). O dito da Defesa começou ao ataque. Que tal e coisa, que ia falar pela positiva, mas acusa o robótico Sócrates de chamar todos os nomes (olá Saramago) a Bagão Félix. A bola saltita para o filósofo, que nem tem feito muito para conquistá-la, e esquiva-se à primeira pergunta como o diabo da cruz. Articula as rimas das palavras acabadas em "ança", qual ladainha popualr - confiança, esperança, nem que seja de levar um pontapé na pança. Dispara cartuchos sobre o governo e a proto-classe média do Sr Defesa, e faz revienga e acaba MESMO por não responder à pergunta. O Guerreiro Menino vem e alça dos gráficos, tanto papel branco ele brandiu, é a fé na celulose que o pode manter no trono. Atira culpas ao ausente-presente Guterres e afirma que este lhe baixou a curva. Pouca sorte, a da confiança. Vem Jerónimo e a garganta pariu um rato. Calam a voz à classe operária num passe de mágica. Teme-se que se tenha partido a fita da cassete, logo agora quando começava a dar mostras de chegar ao CD. É o elo mais fraco, adeus e até já. Louçã, tal como o Sr Defesa diz "ainda bem que me faz essa pergunta", pareciam afinados e combinados, como Yin e Yang dos comunas e reaças. Agradecem mas depois respondem o que lhes apetece. Espectador, queres respostas? Toma e embrulha ou compra nos mosqueteiros, que têm sempre coisinhas em conta. A chatice do desemprego vem à baila e os 150.000 abençoados de Sócrates percebem que não são mesmo promessa, mas sim, objectivo. Há quem tenha o objectivo de ver as partes íntimas da Angelina Jolie ou do Clooney e provavelmente só com promessas é que lá vão...enfim, bola para a frente, que uma das milagreiras do burgo já foi andando. Mas também não são empregos a brincar porque o engenheiro garante que o que está nos cartazes é verdade. Mesmo a cor dos seus olhos, da qual o Lopes desconfia. Afinal o mesmo Lopes, o homem que confiava nas estrelas em registo misto de Gabriel Alves e Zandinga não quer falar do futuro. Prefere assumir que a Direita acredita na indústria da celulose e vai mostrando folha atrás de folha, mas só as que lhe interessam. O Sr Defesa é mais ambicioso do que o filósofo e pretende não 150.000 empregos mas sim 150.000 EMPRESÁRIOS. Ora 150.000 x nº empregos elevados a N ramos de actividade = grandes vagas de imigração para preencher tanto lugar ao Sol. Bolas, lá se vai o discurso da contenção e da integração suave. Também se fica a saber que um democrata-cristão não fecha portas de empresa. Malditos ateus do Vale do Ave, compram ferraris cor da luxúria e piram-se como demónios. Louçã marimba-se nos gráficos e confia na verve. Deve tê-los deixado ao pé da gravata e dos casacos bonitos. Saca da carta na manga e põe o Totta à mostra. Choque e pavor, Sr Lopes dos Bosques diz que pôs a mão no mel, está desvendado o segredo do cabelo empastado. O Filósofo cavalga a onda radical de esquerda e ajuda o xerife de Nottingham. Entretanto Jerónimo tenta regressar às lides - más línguas dizem que não se sentiu a sua falta - quem dera a Santana ter a garganta arranhada para brincar aos mártires. Sócrates desmonta o cavalo da banca e quer que o barafustanço fique para os radicais de serviço, porque no fundo concorda mas também não. Opta antes por atacar o Sr Lopes com a Matemática e o Sr Lopes rebate com a certeza que Deus aumentou a esperança de vida. Mais uma cunha e talvez engorde as reformas, quem sabe? Louçã avança com "aquela cena da solidariedade entre gerações e tal". O democrata-cristão de serviço lamenta em silêncio a oportunidade perdida e ainda por cima atura teoria económica em velocidade trotskista. Santana puxa ao vídeo do guerreiro-menino e mostra o pai viúvo. Momento lágrima, chora, sangra, ama e ama. O Sr Defesa afinal reconhece que é radical mas "saudável" (?), uma variante do revolucionário cordato. Busca por técnicos para empregar e por coincidência saem todos da cartola das suas pastas - Mar (aquele secretário da praia e barco, lembram-se?), Turismo (quem?) e Ambiente (aquele ministro da casa na Arrábida, lembram-se?). Os 3 técnicos fundidos soam-me a empregados de mesa numa esplanada da Caparica. Fica a sugestão de modernidade.

Dá-se o intervalo, mudo de canal e vejo que Galileu morreu há uma data de anos, depois de renegar o que tinha dito. Se vivesse hoje tinha lugar no debate. Supõe-se que Jerónimo tenha ido telefonar ao Melo D, em busca da mebocaína e das good vibes. Afinal acaba por abandonar o ringue e Louçã fica sozinho a garantir que o Filósofo não pisca o olho à Direita.

No que toca à Escola todos querem que a geração "Dah!" e "Troll" ande 12 anitos a marchar, quando nem aos 9 chegam, é a teoria do grande salto em frente só que em vez de aço temos giz e lousas e fabrico de lareiras para mestres-escola do interior. O Sr Lopes regressa todo ressabiado com o assunto dos bancos, traz o Guterres outra vez ao baile, o grande satã da internacional boçalista de orelhas a arder. O Lopes embala e apelida Louçã de evangelista. O democrata-cristão de serviço engole ooutra vez em seco com a usurpação do lugar da Fé. A Portucel é que vai esfregando as rotativas de contente, o Sr Defesa afiambra um molho de folhas para falar aos pobrezinhos, que nem devem saber o que é um A4. E vai de cartolinas, ciclo da Saúde em sistema ClipArt e por portas e travessas vai apresentando o seu governo Playmobil em cada intervenção. Fala-se na Saúde e tremo com a perspectiva de virem aí os fracturantes outra vez, ainda por cima aqueles que nada têm a ver com ossos. Vem droga para a mesa, Louçã recebe no peito, recreia-se com a "chicha" e chuta com uma caneta BIC, à falta da Montblanc da esquerda Lux. Os outros mudos e quedos. Afinal ainda não somos a Holanda, uff, que esses gajos nem gostam de almoçar. Repórter que é repórter fala de cenários e hipóteses, Sócrates repete maioria, maioria, maioria, Santana aposta na cabala, não se sabe se involuntária ou à gomes da silva (olá bacalhau), mas agora já não quer falar nela porque já falou nela antes e também na RTP. Entendidos? Evoca mas não concretiza. Louçã recusa a existência do pacto de sangue à tom sawyer e Santana rumoreja em fundo qual Statler ou Waldorf dos Marretas. É velho precoce e duvida-se que chegue à sua própria idade de reforma. O Sr Defesa bate com a cabeça nos dois dígitos de tanto lhes querer chegar mas já se esqueceu que a promessa era CDS > BE + CDU. Talvez não goste de matemática, durante o debate assumiu gostar mais da Sociologia e da História dos desempregados. Ou então anda a comer queijo daquele autarca que não se pode mencionar, página virada de quem pretensamente roubou a maioria mas que perdeu essa vantagem para o flamenguito.

Tudo baralhado, somado e digerido, não houve respostas directas a perguntas certeiras. Não se falou da Europa, Justiça, Cultura, Agricultura, Iraque, Ambiente, Desenvolvimento Sustentável, Assimetrias Litoral-Interior, Formação Profissional e Qualificação. Também para quê? Já estou como o malogrado César Monteiro."O público português que se foda".

O Happening

A blogosfera portuguesa vai de vento em popa e das formas mais inesperadas. Há dias nasceu a Alice, filha do Zé Mário do BdE, e tanto a recta final da gravidez como o nascimento foram acompanhados online quase quase em tempo real. Pode dizer-se que é a primeira filha da nossa blogosfera. E que é muito bem vinda.

O blogue feito pelos seus leitores. E assim é que está bem. Aqui fica uma sugestão da Rita Amado para o insondável e imprevisível Kim Jong-il. A caixa de email do blogue começa a despertar. Tenho de ter cuidado senão ainda se transforma numa democracia. Posted by Hello
Prokofiev devia ser apresentado a Luís Delgado

Este homem anuncia tantas vezes a retoma que quando ela vier (se vier) ninguém acredita nele. E a fixação com os EUA assombra-o mesmo à séria. E da vassalagem a Santana já nem falo, bastou-me vê-lo ontem nos comentários ao debate a 5 (menos 1).
Por falar em debate, logo que tenha tempo vou discorrer sobre ele. À moda do blogue.

terça-feira, fevereiro 15, 2005

Momento do dia [pré-debate]

Cruzei-me com o actor Carlos Paulo no metro. Por momentos pensei que ia de visita à minha tia a Marrocos.
Dreamer

O meu sonho era ouvir a P.J. Harvey sem pensar no Eduardo Prado Coelho.

Da poeira do quarto kafkiano para o leitor de CD Posted by Hello
A razia dos ícones

a César aconselharam cautela com os idos de Março. A ti sugiro que te ponhas a pau com a próxima campanha para legislativas.

A AMEAÇA Posted by Hello

segunda-feira, fevereiro 14, 2005


Doçura em final de dia Posted by Hello
Ainda pelas biografias

como sempre alguém fica com a carne da televisão e o otário assinante da TV Cabo com os ossinhos de parco tutano. Toma lá um documentário reciclado sobre o ás do pedal Lance Armstrong. Se querem assistir a alguma coisa que não seja datada e fora do vosso tempo desconfiem quando um programa começa com "vencedor de 4 voltas à França...". Diz a voz off que ficou bem lançado para no próximo ano conseguir a 5ª vitória...Cáspite, que o homem até já a ganhou pela 6ª vez.
Alguém sabe onde anda o anacronismo do Sol Música? Sempre se notava menos.

Ouço no Biography Channel que Casanova, tido como o maior amante da História, foi também um mestre da fuga, ao ter escapado das garras da Inquisição pela porta da frente do Palácio dos Doges em Veneza. Amor e escapismo em doses saturadas provoca-me sempre alguma inquietação.
Sempre a linkar

"As coisas certas no lugar certo", como dizem os pequenos Goebbels da Câmara de Lisboa. Depois da crise de "template" o Diário Ateísta volta à barra dos links. E parece que em boa hora.
Livra, Jesus, todos os santinhos nos salvem, até os pagãos e os que os ateus não adoram


[rapinado ao sempre atento O Jumento]
Hoje no posto de escuta um encontro tardio com uma banda de culto. Mais vale tarde do que nunca. Posted by Hello
General Vasco Gonçalves apresenta queixa na Sociedade Portuguesa de Autores

"Santana Lopes em Campanha Contra a Banca "
Do fait-divers que faz capa e mais três páginas no jornal do Delgado Posted by Hello
Impasse na terra santa (?) Posted by Hello
Como diria Pinto da Costa "não o conheço nem nunca me foi apresentado"

Casa Pia: Carlos Cruz nega conhecer Carlos Silvino e as vítimas de abusos sexuais
Inédito

caiu-me sobre os ombros a responsabilidade social do "bloggador". Hoje recebi o primeiro email com queixas à pouca produtividade desta 2ª feira. Viva a vigilância operária viva. Há MESMO que trabvalhar para a minha comunidade de crentes/visitantes.

domingo, fevereiro 13, 2005


Uma capa à maneira para encerrar o fim-de-semana Posted by Hello
Tu e a tua grande boca nortenha, popularucha e conservadora



"A tsunami eleitoral da vitória começou aqui em Guimarães". Clamas pela água mas pelos vistos falta-te chá.
A cavalo no Diabo



viva a demagogia viva, viva os senhores que se encostam à saída de cena da mais antiga prisioneira portuguesa, encerrada há décadas numa cela eclesiática, para fazer campanha. Com o Sr Lopes já sabíamos no que é que dá a não-campanha - transforma-se num "apareçam cá depois de almoço". Com o Sr Portas, guerreiro pela vida, faz um belo par e os dois juntos, à laia de um olho no burro e outro no cigano, como diz o povo sabido e xenófobo, dizem "parem as máquinas que nós estamos muito comovidos". Ainda o corpo não arrefeceu e já se cavalga no Diabo para tirar proveito. Apela-se ao povo da crença, o voto católico transformado em voto catártico, como já ensaiou o cura de S. João de Brito. Em busca do milagre da multiplicação dos votos nas urnas de dia 20 fazem tudo para apelar ao valores do povo da fé, uma espécia de mole indefinida que vá de joelhos à mesa de voto e abençoe a Aparição de nova maioria de direita. Acho é que o cavalinho pode ir saíndo do sol, pois que não chove no país, se calhar Nossa Senhora afastou as águas do rectângulo lusitano da mesma forma que afastou os crudes de Prestígio. Se bem me lembro para milagre já temos o cabeça de lista de Santarém pelo CDS, que chega a secretário de estado (com letra pequena) por gostar de ir à praia e andar de barco. Eu também vou molhar os joelhos ao mar sempre que posso e em menino até andei nos barquinhos do lago do Bom Jesus. E cargos aqui por casa não abundam, que injustiça soez. E já dou de barato o milagre da chegada ao poder do homem do cabelinho impossível, nómada errático à frente dos portuguesinhos, mais à nora que o Cabral que esbarrou com o Brasil sem querer, líder de facção guerrilheira e menina, que também chora, sangra e ama e ama.
Por ora chega de passes de mágica, por muito que o Sr Portas ande sempre com os "senhores padres" na boca. Se bem me lembro, o Sr Jesus também expulsou ao pontapé e bofetada os vendilhões do templo, com imprecações à mistura. E vendilhões com mais lábia do que esta dupla dinâmica da direita à portuguesa não há, Arre burro que amanhã é sexta, sericotelho, bacalhau, azeite e alho que amanhã é de trabalho, com voto fútil, amor a Portugal e estabilidade das mentes paralisadas com tão lauto espectáculo. Não há memória de trazer como bandeira de valores na recta final de campanha eleitoral uma idosa detentora de um segredo de polichinelo, regado a homens de branco e bala no cano. Paz à sua alma que o corpo já o levam os abutres. Amen.