domingo, fevereiro 15, 2004
sexta-feira, fevereiro 13, 2004
Patinadora russa
à partida tanta, tanta promessa e cartaz de Lisboa em aflição. Ai que bom, que agora vamos ter Lisboa de escolas e piscinas, Lisboa com jovens no centro, mesmo no meio de tudo, Lisboa sem amigos do alheio nem filas de trânsito avenida abaixo avenida acima, Lisboa com um buraco escavado de fazer inveja ao túnel Dover-Calais, Lisboa com música, cinema, teatro e dança no parque mayer em 8 meses que, azar dos azares e hoje é sexta-feira 13, se calhar só daqui a 8 anos. Era processos resolvidos em 2 meses com o sugestivo nome de gesturbe, nome que conjugado com o narcisismo do Presidente - ainda não de todos nós, de momento só de alguns - tem uma sonoridade um poucochinho onanista. Era Lisboa Feliz e não se falava mais nisso. No meio de tanta expectativa o que sai na rifa da cidade de luz branca e encantos cantados em fados e marchas populares? Uma pista de patinagem no gelo!!! Obra estrutural, necessidade premente de uma cidade que só por distracção ainda não se candidatou aos jogos olímpicos de inverno. Perguntam os mais cépticos "mas quem vai dar uso àquilo?" . Respondem os esclarecidos "então com tanta gente que embarca para a serra nevada, este pode ser um primeiro passo para um complexo de neve colina abaixo ali em santa catarina ou bairro do castelo, desde há muito limpo de mouros".
Como cereja no topo do bolo, o slogan de antologia. Quando se pensava ser impossível fazer melhor que "Bairro Alto-Alto Astral", agora temos "Lisboa On Ice é Nice". Esmagador.
PS: junto à dita pista projectam-se imagens de promoção numa parede branca onde o presidente aparece em destaque sucessivas vezes. Vá, povo de Lisboa, todos a darem vivas ao querido líder Santana Jong-IL
à partida tanta, tanta promessa e cartaz de Lisboa em aflição. Ai que bom, que agora vamos ter Lisboa de escolas e piscinas, Lisboa com jovens no centro, mesmo no meio de tudo, Lisboa sem amigos do alheio nem filas de trânsito avenida abaixo avenida acima, Lisboa com um buraco escavado de fazer inveja ao túnel Dover-Calais, Lisboa com música, cinema, teatro e dança no parque mayer em 8 meses que, azar dos azares e hoje é sexta-feira 13, se calhar só daqui a 8 anos. Era processos resolvidos em 2 meses com o sugestivo nome de gesturbe, nome que conjugado com o narcisismo do Presidente - ainda não de todos nós, de momento só de alguns - tem uma sonoridade um poucochinho onanista. Era Lisboa Feliz e não se falava mais nisso. No meio de tanta expectativa o que sai na rifa da cidade de luz branca e encantos cantados em fados e marchas populares? Uma pista de patinagem no gelo!!! Obra estrutural, necessidade premente de uma cidade que só por distracção ainda não se candidatou aos jogos olímpicos de inverno. Perguntam os mais cépticos "mas quem vai dar uso àquilo?" . Respondem os esclarecidos "então com tanta gente que embarca para a serra nevada, este pode ser um primeiro passo para um complexo de neve colina abaixo ali em santa catarina ou bairro do castelo, desde há muito limpo de mouros".
Como cereja no topo do bolo, o slogan de antologia. Quando se pensava ser impossível fazer melhor que "Bairro Alto-Alto Astral", agora temos "Lisboa On Ice é Nice". Esmagador.
PS: junto à dita pista projectam-se imagens de promoção numa parede branca onde o presidente aparece em destaque sucessivas vezes. Vá, povo de Lisboa, todos a darem vivas ao querido líder Santana Jong-IL
quinta-feira, fevereiro 12, 2004
Medo
apaguem as luzes, fechem as janelas, desliguem a televisão e outros aparelhos ruidosos. No leitor de CD ponham o novo disco dos Fantomas "Delìrium Cordìa". Estes rapazes são liderados pelo ecléctico Mike Patton. E então tenham medo, tenham muito medo. Uma só faixa, 74 minutos de claustrofobia. Quem disse que a música popular se confina a justin timberlake e janet jackson?
apaguem as luzes, fechem as janelas, desliguem a televisão e outros aparelhos ruidosos. No leitor de CD ponham o novo disco dos Fantomas "Delìrium Cordìa". Estes rapazes são liderados pelo ecléctico Mike Patton. E então tenham medo, tenham muito medo. Uma só faixa, 74 minutos de claustrofobia. Quem disse que a música popular se confina a justin timberlake e janet jackson?
quarta-feira, fevereiro 11, 2004
Véu
a lei que pretende proibir o uso de véu islâmico em terras de França tem dado brado com fartura. Não concordo com a medida - imagine-se o brado que daria uma lei destas em Portugal. O que iriam fazer das suas cruzes as centenas de meninas-adolescentes-parecidas-com-a-Cinha-Jardim-quando-nova? Ou a cruz ao peito não é símbolo religioso?
a lei que pretende proibir o uso de véu islâmico em terras de França tem dado brado com fartura. Não concordo com a medida - imagine-se o brado que daria uma lei destas em Portugal. O que iriam fazer das suas cruzes as centenas de meninas-adolescentes-parecidas-com-a-Cinha-Jardim-quando-nova? Ou a cruz ao peito não é símbolo religioso?
segunda-feira, fevereiro 09, 2004
Infância
ontem ao ver Marco Paulo de cabelo cor de violino a ser entrevistado por Herman José versão loura lembrei-me da infância que não é assim tão remota: "Um preto de cabeleira loura e um branco de carapinha não é natural. O que é natural é cada um ter o cabelo com que nasceu. Restaurador Olex."
ontem ao ver Marco Paulo de cabelo cor de violino a ser entrevistado por Herman José versão loura lembrei-me da infância que não é assim tão remota: "Um preto de cabeleira loura e um branco de carapinha não é natural. O que é natural é cada um ter o cabelo com que nasceu. Restaurador Olex."
Cultura atrás dos montes
Vai sair para a rua mais um número da revista Periférica - número 8, Inverno 2004 - e a edição on.line já está disponível. Para regozijo de vastas camadas da população portuguesa (eu), os "periféricos" solicitaram-me outra colaboração ilustrada e aí está ela a emparelhar com o texto do J. Rentes de Carvalho. Caros leitores habituais (sim, vocês os dois aí ao fundo) toca a comprar a revista senão a cultura fica mais pobre e Trás-os-Montes mais longe. Bem hajam.
Vai sair para a rua mais um número da revista Periférica - número 8, Inverno 2004 - e a edição on.line já está disponível. Para regozijo de vastas camadas da população portuguesa (eu), os "periféricos" solicitaram-me outra colaboração ilustrada e aí está ela a emparelhar com o texto do J. Rentes de Carvalho. Caros leitores habituais (sim, vocês os dois aí ao fundo) toca a comprar a revista senão a cultura fica mais pobre e Trás-os-Montes mais longe. Bem hajam.
sexta-feira, fevereiro 06, 2004
Desnuda
Milhões e milhões de espectadores a assistir à final de um jogo que mais é desfile de Carnaval que jogo jogado. Superbowl é festa, é cor, é patrocínios, é consumo de refrigerantes e baldes de litro e sandocha radioactiva. É fatiotas com chumaços nos ombros à anos 80 e capacetes redondinhos. Jogadores com pinturas de guerra, estilo camouflage das tendas de Santa Clara, ali à Feira da Ladra. No intervalo, interlúdio musical com númeo de veterana Jackson e novel sedutor Timberlake. Dueto de gigantes, à laia de licor Sheridan's branco e negro, o público rejubila no estádio e em milhões de lares, incluindo os portugueses - cortesia Sport TV - e os iraquianos - cortesia Fox News ou TV Bush. Eis senão quando a mana Jackson desnuda o seio - AAHHHH, suprema ofensa à dignidade ufana dos descendentes de George Washington. A menina cai em desgraça, não por seduzir crianças como o seu mano mas por ser atrevidota, que isso de mamocas na América só na intimidade. Celeumas várias, menina dispensada de apresentar um prémio Grammy, caras ruborescidas por todo o lado, nem parece o mesmo país onde existe a maior indústria pornográfica do mundo. Ou a pátria onde se criou em laboratório um enigma da natureza chamado Pamela Anderson.
Por tudo isto e mais alguma coisa, a cerimónia de entrega dos Grammys, tal como a dos óscares, não será transmitida em directo. Na terra da liberdade, do sonho e do prazer, teremos um pequeno delay de cinco segundos, não vá o diabo tecê-las e aparecer em cuecas. Assim dá para o corta e cola, a bem da moral e dos lares e dos patrocinadores que são gente séria e trabalhadora.
A pretexto de uma atitude de estrela em decadência, a terra da livre expressão lava mais branco. Deitem fora as sopas campbell's, o Super POP vem para limpar e dominar.
Milhões e milhões de espectadores a assistir à final de um jogo que mais é desfile de Carnaval que jogo jogado. Superbowl é festa, é cor, é patrocínios, é consumo de refrigerantes e baldes de litro e sandocha radioactiva. É fatiotas com chumaços nos ombros à anos 80 e capacetes redondinhos. Jogadores com pinturas de guerra, estilo camouflage das tendas de Santa Clara, ali à Feira da Ladra. No intervalo, interlúdio musical com númeo de veterana Jackson e novel sedutor Timberlake. Dueto de gigantes, à laia de licor Sheridan's branco e negro, o público rejubila no estádio e em milhões de lares, incluindo os portugueses - cortesia Sport TV - e os iraquianos - cortesia Fox News ou TV Bush. Eis senão quando a mana Jackson desnuda o seio - AAHHHH, suprema ofensa à dignidade ufana dos descendentes de George Washington. A menina cai em desgraça, não por seduzir crianças como o seu mano mas por ser atrevidota, que isso de mamocas na América só na intimidade. Celeumas várias, menina dispensada de apresentar um prémio Grammy, caras ruborescidas por todo o lado, nem parece o mesmo país onde existe a maior indústria pornográfica do mundo. Ou a pátria onde se criou em laboratório um enigma da natureza chamado Pamela Anderson.
Por tudo isto e mais alguma coisa, a cerimónia de entrega dos Grammys, tal como a dos óscares, não será transmitida em directo. Na terra da liberdade, do sonho e do prazer, teremos um pequeno delay de cinco segundos, não vá o diabo tecê-las e aparecer em cuecas. Assim dá para o corta e cola, a bem da moral e dos lares e dos patrocinadores que são gente séria e trabalhadora.
A pretexto de uma atitude de estrela em decadência, a terra da livre expressão lava mais branco. Deitem fora as sopas campbell's, o Super POP vem para limpar e dominar.
quinta-feira, fevereiro 05, 2004
Facharia
Kaúlza Morreu. O maior reaça da história portuguesa, mais facho que o próprio Salazar foi conhecer o seu criador. Este democrata, que esteve vai não vai para derrubar Marcello Caetano por ser demasiado "brando", arrisca-se a derrubar o próprio Diabo do seu lugar de administrador dos fogos eternos.
Santana Lopes foi ao funeral "por laços familiares", estava com saudadinhas do MIRN, esse pequeno percalço de extrema direita onde o nosso monarca de Lisboa militou quando jovem...
Kaúlza Morreu. O maior reaça da história portuguesa, mais facho que o próprio Salazar foi conhecer o seu criador. Este democrata, que esteve vai não vai para derrubar Marcello Caetano por ser demasiado "brando", arrisca-se a derrubar o próprio Diabo do seu lugar de administrador dos fogos eternos.
Santana Lopes foi ao funeral "por laços familiares", estava com saudadinhas do MIRN, esse pequeno percalço de extrema direita onde o nosso monarca de Lisboa militou quando jovem...
segunda-feira, fevereiro 02, 2004
sexta-feira, janeiro 30, 2004
Pequeno Estaline
com o grau de participação exterior neste blogue a roçar os limites da insignificância sinto-me como um paizinho dos povos - é tudo meu, só eu é que escrevo aqui o que me apetece, quando me apetece. Se tivesse bigode para deixar crescer seria ao estilo papá Estaline.
Camaradas, não temam...mandem os vossos recados, desabafos, declarações...até criei um email de propósito para esta humilde casa (confiram aí do lado direito).
com o grau de participação exterior neste blogue a roçar os limites da insignificância sinto-me como um paizinho dos povos - é tudo meu, só eu é que escrevo aqui o que me apetece, quando me apetece. Se tivesse bigode para deixar crescer seria ao estilo papá Estaline.
Camaradas, não temam...mandem os vossos recados, desabafos, declarações...até criei um email de propósito para esta humilde casa (confiram aí do lado direito).
terça-feira, janeiro 27, 2004
In the cut
ontem fui ver In The Cut (tradução portuguesa "Atracção Perigosa (??)" de Jane Campion. Aconselho vivamente esta leitura viciosa de Nova Iorque, o thriller que dá o mote a uma relação de amor fervilhante e infecciosa...O moço Ruffalo é uma revelação e a Meg Ryan parece cansada das comédias xaroposas. Imperdível.
ontem fui ver In The Cut (tradução portuguesa "Atracção Perigosa (??)" de Jane Campion. Aconselho vivamente esta leitura viciosa de Nova Iorque, o thriller que dá o mote a uma relação de amor fervilhante e infecciosa...O moço Ruffalo é uma revelação e a Meg Ryan parece cansada das comédias xaroposas. Imperdível.
Cartazes
em trânsito entre o Camões e o Chiado, assobio e rio porque isso de fumar não sei nem gosto. Que belo passeio matinal, gente que passa e repassa, o quiosque a abarrotar de mirones a ver as gordas e eis que já estou à boca do metropolitano. Num relance apercebo-me que a paisagem urbana sofreu pequena alteração, quase um detalhe de somenos importância...o Pessoa levantou-se e pediu uma frize limão? O Chiado recolheu a mão direita e estendeu a esquerda em pedinchice canhota? nada disso...o que se passa é que o cartaz do Bloco - da esquerda, bem entendido - acerca do aborto foi
vandalizado. Algum mestre de obras dos movimentos pela vida tratou de encharcá-lo em tinta, a bem da tolerância democrática e do debate civilizado. Ao que sei, todos os outros espalhados pela cidade receberam a benção da tinta alva, pura e virginal. Esta rapaziada que gostava de dar personalidade jurídica ao feto ou quem sabe mesmo ao acto de concepção acaba de criar um novo movimento - o Juntos Pela Trincha, contra os vermelhos ateus armados em parteiros.
em trânsito entre o Camões e o Chiado, assobio e rio porque isso de fumar não sei nem gosto. Que belo passeio matinal, gente que passa e repassa, o quiosque a abarrotar de mirones a ver as gordas e eis que já estou à boca do metropolitano. Num relance apercebo-me que a paisagem urbana sofreu pequena alteração, quase um detalhe de somenos importância...o Pessoa levantou-se e pediu uma frize limão? O Chiado recolheu a mão direita e estendeu a esquerda em pedinchice canhota? nada disso...o que se passa é que o cartaz do Bloco - da esquerda, bem entendido - acerca do aborto foi
vandalizado. Algum mestre de obras dos movimentos pela vida tratou de encharcá-lo em tinta, a bem da tolerância democrática e do debate civilizado. Ao que sei, todos os outros espalhados pela cidade receberam a benção da tinta alva, pura e virginal. Esta rapaziada que gostava de dar personalidade jurídica ao feto ou quem sabe mesmo ao acto de concepção acaba de criar um novo movimento - o Juntos Pela Trincha, contra os vermelhos ateus armados em parteiros.
segunda-feira, janeiro 26, 2004
sábado, janeiro 24, 2004
Levanta-te Lázaro
e eu que pensava que os milagres vinham na bíblia e que reabilitações surpreendentes só mesmo com o filho pródigo, queres ver que as aulas de religião e moral até ao 9º foram verbo de encher?
eis senão quando o coro dos tribunais - saudoso josé afonso que neles falaste em mão primeira - resolve inverter a marcha no IP da justiça e das autarquias e temos a Senhora Felgueiras a voltar formalmente ao seu cargo? É tempo de reparar os direitos a esta perseguida de saco azul e cor-de-burro-quando-foge, sobretudo quando se foge para o Brasil, com direito a judite de sousa, que a RTP não é avara em meios.
Há precedente, logo, há mais figuras de imagem denegrida que urge desempoeirar. Voltará padre Frederico à sua diocese madeirense, terra de comunistas que inventam estórias de pedofilia e mimos infantis? Poderá alguma vez Zézé Beleza ser ministro da Saúde? Caldeira onde andas desde que o teu nome arrefeceu? "Lázaro levanta-te e caminha", diziam eles. Isto é pátria Lusa, digo eu.
e eu que pensava que os milagres vinham na bíblia e que reabilitações surpreendentes só mesmo com o filho pródigo, queres ver que as aulas de religião e moral até ao 9º foram verbo de encher?
eis senão quando o coro dos tribunais - saudoso josé afonso que neles falaste em mão primeira - resolve inverter a marcha no IP da justiça e das autarquias e temos a Senhora Felgueiras a voltar formalmente ao seu cargo? É tempo de reparar os direitos a esta perseguida de saco azul e cor-de-burro-quando-foge, sobretudo quando se foge para o Brasil, com direito a judite de sousa, que a RTP não é avara em meios.
Há precedente, logo, há mais figuras de imagem denegrida que urge desempoeirar. Voltará padre Frederico à sua diocese madeirense, terra de comunistas que inventam estórias de pedofilia e mimos infantis? Poderá alguma vez Zézé Beleza ser ministro da Saúde? Caldeira onde andas desde que o teu nome arrefeceu? "Lázaro levanta-te e caminha", diziam eles. Isto é pátria Lusa, digo eu.
Literatura
Acabei há pouco o "Psicopata Americano" (edição portuguesa da Teorema), lido num fôlego. Aconselha-se vivamente a quem vive a ansiolíticos e anti-depressivos ou a quem domine os catálogos de alta costura. Esclarecedor.
Acabei há pouco o "Psicopata Americano" (edição portuguesa da Teorema), lido num fôlego. Aconselha-se vivamente a quem vive a ansiolíticos e anti-depressivos ou a quem domine os catálogos de alta costura. Esclarecedor.
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